Todas as Mulheres do Foodservice
Pesquisa inédita revela o primeiro grande retrato da presença feminina em restaurantes, lanchonetes e padarias de todo o Brasil.
Esta pesquisa inaugura um novo capítulo na compreensão do setor.
Pela primeira vez, uma pesquisa estruturada e representativa mapeia a presença das mulheres nas principais posições hierárquicas do Foodservice brasileiro — do comando à linha de frente, da gestão administrativa à operação de cozinha e atendimento.
Por meio de uma abordagem quantitativa robusta, o estudo revela onde as mulheres já conquistaram espaço, onde ainda são minoria e quais funções permanecem invisibilizadas.
Pela primeira vez, uma pergunta crucial encontra resposta baseada em dados concretos: Qual é o verdadeiro espaço das mulheres no mercado de alimentação fora do lar no Brasil?
Com participação de lideranças femininas que teceram comentários extremamente relevantes sobre a pesquisa, o IPESO mais uma vez se consolida como pioneiro na produção de conhecimento inédito, relevante e transformador — fazendo história ao lançar o primeiro grande retrato da presença feminina no Foodservice brasileiro.

Principais insights da pesquisa

• Funções com barreiras persistentes à presença feminina
Entregadores/motoboys: apenas 8,9% dos estabelecimentos contam com ao menos uma mulher.
Garçom: presença feminina em apenas 53,1%, majoritariamente em função mista.
→ Funções associadas à mobilidade, força física ou exposição pública ainda excluem ou inibem a atuação feminina.
• Presença feminina é ampla, mas concentrada em funções de apoio
Mulheres estão presentes na maioria dos estabelecimentos nas seguintes funções:
- Caixa: presença feminina em 77,9% dos estabelecimentos
- Limpeza / Serviços gerais: 73,9%
- Atendimento e auxiliar de cozinha: acima de 80%
→ Mas nos espaços de decisão, a presença feminina é inferior à masculina:
- Sócias/Proprietárias: mulheres presentes em 51,8% dos estabelecimentos, contra 85,3% com homens
- Gerentes/Compradoras: mulheres em 52,8% vs. homens em 72,6%
- Entregadoras: presença feminina em apenas 8,9%

• Porte do estabelecimento amplia a diversidade
Estabelecimentos com 20 funcionários ou mais apresentam maior proporção de equipes mistas, especialmente em cargos como:
- Cozinha técnica
- Administração
- Liderança intermediária
→ A presença simultânea de homens e mulheres cresce com a estrutura e profissionalização do negócio.

• Padarias são as mais equitativas
As padarias concentram as maiores taxas de presença feminina em múltiplas funções:
- Caixa, atendimento, auxiliar de escritório, limpeza e cargos administrativos
→ São referência de divisão mais equilibrada de funções por gênero.

• Contraste regional: Sudeste é mais desigual
Sudeste: homens estão presentes como sócios em 62,3% dos casos exclusivos.
Norte e Centro-Oeste: maior incidência de lideranças femininas ou mistas.
→ A presença da mulher na gestão é mais comum fora dos grandes centros tradicionais.
Lideranças femininas analisam a pesquisa

“A consolidação de dados sobre a presença feminina no Foodservice representa um avanço relevante para o setor. No entanto, o verdadeiro valor dessas informações está em sua capacidade de orientar estratégias efetivas. Para que os dados deixem de ser apenas diagnóstico e passem a ser motores de transformação, é fundamental que sejam incorporados aos processos decisórios, com metas claras, indicadores de progresso e ações estruturadas de desenvolvimento e inclusão.
A equidade de gênero precisa ser tratada como uma prioridade estratégica, com compromissos assumidos pelas lideranças e sustentados por uma cultura organizacional intencionalmente diversa. Somente assim conseguiremos transformar os dados em alavancas concretas de mudança”.
ADRIANA S. SANTOS
Head de Foodservice da Vigor, com 20 anos de experiência no Foodservice brasileiro. Atua ao longo da carreira em indústrias líderes do setor, contribuindo de forma consistente para a profissionalização e evolução do mercado.

“O foodservice brasileiro tem rosto feminino. Mulheres sustentam esse setor com talento, resistência e excelência no chão da operação. Mas o topo ainda é majoritariamente masculino — e os dados deixam isso evidente.
Quando uma pesquisa mostra essa distância entre quem faz acontecer e quem toma as decisões, a pergunta não é mais se existe um problema. É: o que estamos fazendo para mudar?
Promover a equidade de gênero no setor é urgente — mas se quisermos avançar de verdade, precisamos ir além. Se cruzássemos esses dados com raça, território, deficiência e outros marcadores sociais, as desigualdades seriam ainda mais profundas. Por isso, políticas de inclusão precisam ser construídas com recorte interseccional. Porque não basta promover ‘as mulheres’. É preciso garantir que todas possam chegar — inclusive as que hoje estão mais longe do topo.
E tem mais: 76% dos brasileiros preferem marcas que se posicionam por inclusão e diversidade. Ou seja, quem não estiver se movendo por consciência, que se mova por estratégia. O mercado já está mudando — e o consumidor também.”.
LUANNY FAUSTINO
Consultora, palestrante e estrategista em transformação cultural com foco em inclusão, sócia da Tree Diversidade e especialista em DE&I, ESG, Direitos Humanos e cultura organizacional.

“Acredito que desde crianças somos educados para seguir determinados papéis separado por gêneros, e isso afeta nossas escolhas. No campo do trabalho existem algumas barreiras que começam desde a linguagem utilizada para divulgar uma vaga de emprego, com descrições sexistas, passando pela falta de representação das minorias em cargos de liderança, infraestrutura inadequada em alguns setores para receber mulheres, políticas de contratação e promoção com viés, até mesmo a falta de apoio familiar e parental.
Para quebrar essas barreiras e padrões precisamos tirar o discurso do papel e promover a igualdade de gênero em todos as frentes, desde a contratação até a promoção disponibilizando treinamentos a todos, ajudar as funcionárias a desenvolver suas habilidades, criar ambientes inclusivos, fomentar o equilíbrio entre vida particular e trabalho executando políticas de apoio, além de promover mais mulheres para cargos de liderança ou que historicamente a presença masculina é maior. Além disso as empresas devem também promover a visibilidade destas ações para que mais mulheres se inspirem e busquem suas especializações e acredite que elas também podem ter a oportunidade de chegar lá”.
LILIAN COSTA
Gerente Foodservice da KraftHeinz. Profissional com mais de 20 anos de experiencia na área comercial, com carreira desenvolvida em empresas de bens de consumo, principalmente no segmento de A&B. Grande expertise em venda consultiva no canal Food Service.

“Empresas mais organizadas geralmente têm melhores condições para investir em governança e compliance. Por estarem mais expostas ao mercado, são pressionadas a adotar práticas igualitárias, combatendo a discriminação e fortalecendo a ética corporativa. O reconhecimento aumenta quando promovem diversidade em cargos de liderança.
Já os pequenos negócios, mesmo com menos recursos, podem transformar sua agilidade e proximidade com os colaboradores em pontos fortes. Ao capacitar lideranças e influenciar diretamente os processos de contratação, podem criar ambientes mais inclusivos. Isso exige compromisso, metas claras e o empoderamento de todos na construção de uma cultura diversa. A equidade começa na cultura e quando reconhecemos os vieses existentes e adotamos práticas firmes e transparentes de combate ao preconceito, a equidade deixa de ser apenas uma meta e passa a ser uma realidade”.
MARA SEHN
Gerente de vendas da Cargill, com mais de 16 anos de experiência no mercado Foodservice.

“A presença feminina e a equidade de gênero devem estar no centro do posicionamento das marcas do setor de Foodservice. Cada vez mais, consumidores valorizam empresas que refletem a diversidade da sociedade e se posicionam de forma autêntica em relação a temas sociais. Inclusão não é só valor moral – é diferencial competitivo. Marcas que promovem a equidade de gênero demonstram compromisso com inovação, pluralidade de ideias e conexão com públicos diversos.
No Foodservice, isso se traduz em times mais criativos, produtos mais representativos e experiências de consumo mais alinhadas aos valores atuais. Transformar inclusão em vantagem competitiva real exige ações consistentes: representatividade nas lideranças, comunicação inclusiva, fornecedores diversos e ambiente seguro para todas as pessoas. Quando a diversidade é vivida de forma genuína, ela fortalece reputação, engajamento e resultados. Temos uma urgência clara: avançar na inclusão real, nas oportunidades equitativas e na valorização das diferenças que compõem a identidade da demografia brasileira. Promover a equidade de gênero não é uma questão de escolha; é a própria base para um futuro sustentável, inovador e próspero”.
MARGARETH GOLDENBERG
CEO Goldenberg Diversidade e Gestora Executiva Movimento Mulher 360 – psicóloga, especialista em direitos humanos & mundo corporativo , há 32 anos, atua nos temas de responsabilidade social, diversidade e equidade de gênero em grandes corporações.

“O setor de padarias no Brasil mostra avanços importantes na presença feminina, refletindo estruturas mais equilibradas em funções administrativas, de atendimento e operação. Porém, essa ocupação ainda carrega marcas profundas dos papéis historicamente atribuídos às mulheres, como a economia do cuidado e a conciliação entre trabalho e responsabilidades domésticas.
Para transformar essa realidade, é essencial ir além da presença numérica e investir em políticas públicas somadas à intencionalidade organizacional, com estratégias de diversidade, equidade e inclusão que enfrentem desigualdades estruturais — como a ausência de equidade salarial e a sobrecarga materna.
Licenças parentais mais amplas, incentivos ao empreendedorismo feminino e programas de capacitação podem fortalecer a autonomia econômica das mulheres que atuam nas padarias, ampliando seu protagonismo em posições de liderança. Valorizar essas profissionais é também reconhecer que a diversidade é um ativo estratégico para todo o Foodservice”.
MARÍLIA TOCALINO
consultora e palestrante em diversidade, equidade e inclusão, com 15 anos de experiência em liderança e estratégia e vivência como executiva com deficiência.

“Se as mulheres já sustentam a base do Foodservice com competência, por que ainda são minoria no topo? Os dados escancaram o descompasso: 85% das operações têm homens no comando, enquanto apenas 52% contam com mulheres em cargos de liderança. Isso não reflete falta de capacidade, mas sim barreiras estruturais que seguem invisíveis, mas com efeitos muito reais.
Liderança não pode ser vista como prêmio: é parte essencial da estratégia.Empoderar lideranças femininas é garantir decisões mais diversas, mais conectadas com os consumidores e com os desafios contemporâneos do setor.
Não se trata apenas de justiça: é inteligência de negócios. Visibilidade, redes, mentoria, acesso ao crédito e divisão de poder constroem um futuro mais forte. Porque quem não dá espaço, não ouve. E quem não ouve, perde a chance de evoluir, de crescer em um mercado que já pulsa diversidade em sua base. Afinal, como líder, eu sei que dar voz é dar poder de transformação”.SIMONE GALANTE
Fundadora e CEO da GALUNION. Referência em inovação e consultoria para Foodservice, com mais de 30 anos de experiência. Já realizou mais de 350 projetos no setor, abrangendo indústrias de ingredientes, alimentos, equipamentos, distribuidores e redes de restaurantes. Como palestrante e conselheira, compartilha seu conhecimento com o mercado e colabora com associações como ABF, ANR, ABIA e ABERC, promovendo networking e impacto positivo para negócios e profissionais da área.

“Ao pensarmos em alimentação, é comum que a primeira imagem seja de uma mulher cozinhando – o que poderia sugerir uma presença feminina dominante à frente dos negócios de Foodservice. No entanto, embora sejam maioria nas funções que sustentam a base das operações (como apoio de cozinha, caixa e limpeza), elas ainda são minoria como proprietárias ou sócias.
Apenas 14,7% dos negócios têm mulheres como únicas proprietárias, e a presença como sócias aparece em pouco mais da metade dos empreendimentos. Em um setor altamente pulverizado, com aproximadamente 96% de operadores independentes, a participação feminina tende a crescer conforme aumenta o porte e a estrutura do estabelecimento. Esse cenário evidencia a necessidade de investir em qualificação, visibilidade e redes de apoio que fortaleçam a autoconfiança das mulheres e criem condições reais para que se sintam seguras em liderar e se posicionar à frente dos negócios.”
THAÍS PITALUGA
Head da Grano Alimentos e ex-KraftHeinz, com carreira focada em Foodservice, conduzindo estratégias comerciais voltadas à performance, relacionamento com operadores e crescimento sustentável.
Conclusões: O desafio da equidade no topo
A estrutura ocupacional do Foodservice brasileiro ainda reproduz desigualdades de gênero profundas, mesmo quando analisamos a presença efetiva de mulheres nas funções. Elas estão presentes em grande parte dos estabelecimentos, mas concentradas em cargos de apoio operacional, com baixa incidência em posições de liderança, propriedade e mobilidade.
Essa distribuição desigual não se explica por ausência feminina, mas por barreiras estruturais e culturais que limitam o acesso das mulheres a funções com maior autonomia e poder de decisão. As mulheres sustentam a base da operação, mas seguem sub-representadas nos espaços estratégicos.
Por outro lado, há sinais concretos de mudança. À medida que os estabelecimentos crescem em porte e estrutura, a presença feminina se torna mais visível em cargos técnicos e gerenciais, especialmente quando há formação de equipes mistas. Isso indica que a profissionalização e a formalização do setor favorecem a equidade.
Em nível regional, o Brasil mostra cenários distintos: enquanto o Sudeste apresenta maior concentração de lideranças masculinas exclusivas, regiões como o Norte e o Centro-Oeste revelam padrões mais inclusivos, com maior presença de mulheres em cargos de gestão e operação.
→ A inclusão avança onde há estrutura, consciência e abertura para dividir espaços de decisão.
Desafios para o setor sob a ótica da inserção da mulher no mercado de trabalho
Rompimento da divisão tradicional de funções. É preciso criar estratégias que incentivem e normalizem a presença feminina em cargos de liderança, operação técnica e logística. Isso inclui desde formação e capacitação até medidas estruturais de segurança e apoio.
Transformação da cultura de comando. A menor presença de mulheres entre sócios e líderes não reflete falta de capacidade, mas sim barreiras de acesso ao poder e ao empreendedorismo. Iniciativas como programas de mentoria, redes de apoio feminino e estímulo a parcerias mistas são fundamentais para ampliar o protagonismo das mulheres no setor.
Redução da informalidade e incentivo à profissionalização. A análise por porte mostra que equipes diversas são mais comuns em negócios mais organizados e profissionalizados. Investir na formalização, gestão eficiente e ampliação de processos tende a abrir espaço para lideranças femininas e composições mais equitativas.
Valorização das funções com alta presença feminina. As mulheres estão presentes em quase todos os caixas, setores de limpeza e apoio de cozinha — funções muitas vezes invisibilizadas e subvalorizadas. Reconhecer seu valor, melhorar condições e garantir respeito é essencial para uma agenda séria de equidade.
Diversidade como diferencial competitivo. A presença feminina deve ser planejada, cultivada e protegida como um ativo estratégico. Equipes diversas trazem mais empatia, inovação, conexão com o consumidor e aderência às agendas ESG, fortalecendo a marca diante de clientes, talentos e investidores.
Cálculo de presença feminina + Metodologia
Para ampliar a compreensão sobre a participação de homens e mulheres nas diferentes funções dos operadores
de Foodservice, adotamos também um critério de leitura baseado na presença — ou seja, se há ao menos
um homem ou uma mulher ocupando a função, mesmo que de forma compartilhada.
Como foi calculada a presença de gênero:
- Presença masculina:
respostas “ocupado por homem” + “ocupado por homem e mulher” - Presença feminina:
respostas “ocupado por mulher” + “ocupado por homem e mulher”
Esse recorte permite identificar a abrangência da presença feminina nos estabelecimentos, indo além da ocupação exclusiva e valorizando as estruturas compartilhadas.
Por que isso importa?
A alternativa “homem e mulher” representa contextos de colaboração mista, típicos de ambientes mais estruturados ou equitativos. Avaliar a presença, e não apenas a exclusividade, é crucial para compreender níveis reais de inclusão e visibilidade da mulher no setor.
Essa leitura complementar ajuda a identificar avanços e gargalos estruturais, sendo um recurso valioso para políticas de diversidade.
Metodologia
O presente relatório é um recorte analítico da pesquisa Top of Mind Foodservice 2025, estudo quantitativo de abrangência nacional, conduzido com operadores do setor Foodservice em todas as capitais brasileiras. Seu objetivo central é mapear a presença das mulheres nas diferentes posições hierárquicas dentro dos estabelecimentos do setor, oferecendo uma leitura inédita sobre gênero e liderança no Foodservice brasileiro.
A pesquisa original empregou amostragem probabilística estratificada proporcional à população dos Estados, com estratificação intencionalmente desproporcional quanto ao tipo de estabelecimento, a fim de garantir maior profundidade na análise de restaurantes e padarias — segmentos mais relevantes do ponto de vista mercadológico. Foram realizadas 788 entrevistas presenciais, distribuídas da seguinte forma: 414 restaurantes, 208 padarias e 166 lanchonetes.
Os estabelecimentos foram sorteados por pulo sistemático a partir de uma base de dados ampla e atualizada. Em cada estabelecimento, foi entrevistado o(a) proprietário(a) ou o(a) responsável pelas compras. A margem de erro da amostra é de 3,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O instrumento de coleta foi um questionário estruturado, com perguntas não-disfarçadas, aplicadas de maneira padronizada.
Este relatório, portanto, representa um recorte temático da pesquisa original, com foco exclusivo na participação feminina nos operadores de Foodservice, oferecendo insights estratégicos sobre diversidade, equidade e inclusão no setor.



